Bebida tradicional junta vários consumidores sem máscara na Beira

O decreto presidencial no âmbito de prevenção contra a pandemia da COVID-19, continua a ser violado por uma parte dos beirenses, apesar de já terem sido registados os primeiros casos da doença naquela urbe. Uma denúncia popular conduziu a polícia e a imprensa para uma  residência, no fim do dia desta quarta,  localizada no bairro de Inhamudima onde dezenas de pessoas, grande parte delas sem máscara e sem respeitarem a distância mínima, consumiam uma bebida alcoólica de fabrico tradicional, denominada kamanga, que é feita na base de farelo de milho

Os consumidores indicaram que reconhecem que estão a violar o decreto presidencial.

“Realmente. Mas o confinamento está a criar-me stress e preciso de aliviar e consumir esta bebida na companhia dos meus amigos. Foi a única alternativa que encontrei. Tenho a plena consciência que estou a cometer erros e que deveria estar na minha casa ao lado da família” – afirmou  Carlitos Zangue, um dos consumidores.

Há quem viu a venda da bebida como uma oportunidade para fazer o seu negócio, como é o caso da senhora Luísa Gabriel, que preparou um cozido de peixe para vendê-lo aos consumidores de camanga como petisco apesar de reconhecer igualmente que está a violar o decreto presidencial.

“Há mais de cinco anos que vendo petiscos em locais onde vendem bebidas alcoólicas de fabrico tradicional. Sou viúva e não trabalho. Com o dinheiro que consigo amealhar sustento os meus filhos. Ficar em casa é condenar a minha família a morrer à fome” – justificou-se Celeste Ndizo.

O consumo da bebida em referência, assim como muitas outras tradicionais é através de copos improvisados e o mesmo serve para todos, facto que pode contribuir para a transmissão do novo coronavírus entre outras doenças.

A polícia teve de sensibilizar aos consumidores da bebida pessoas a abandonarem o local e poucos minutos depois o quintal da casa estava vazio. O proprietário da bebida e da residência, temendo a polícia trancou-se no interior da residência, donde saiu depois da PRM efectuar várias insistências e estava aparentemente embriagado e com dificuldades para falar

A polícia não teve alternativa senão conduzi-lo à sexta esquadra, onde ficou detido.

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