Morre político moçambicano ”Máximo Dias”

Máximo Dias perdeu a vida no Hospital Santa Maria, após uma paragem cardiorrespiratória, depois de um mês internado.

O opositor político moçambicano Máximo Dias morreu na madrugada desta segunda-feira em Lisboa vítima de doença, aos 83 anos, disse esta segunda-feira à Lusa fonte familiar.

Máximo Dias perdeu a vida no Hospital Santa Maria, após uma paragem cardiorrespiratória, depois de um mês internado, disse Carla Dias, filha do político.

O velório do político está marcado para quarta-feira na igreja São João de Brito e as cerimónias terminam, no mesmo dia, no Cemitério do Lumiar, Lisboa.

Máximo Dias, advogado, concorreu às primeiras eleições presidenciais moçambicanas, realizadas em 1994, pelo Movimento Nacionalista de Moçambique (Monamo), partido de que era líder, assumindo-se como “candidato didata”.

O escrutínio foi ganho pelo candidato da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, Joaquim Chissano.

Mas a vida política de Máximo Dias remonta ao período anterior à independência de Moçambique, tendo pertencido ao Grupo Unido de Moçambique (Gumo), organização fundada em 1974 em contestação ao papel de único e legítimo representante do povo moçambicano reivindicado pela Frelimo.

Na sequência da recusa do partido no poder em aceitar o pluralismo político e do ambiente de repressão que se instalou após a independência, Máximo Dias abandonou o país e exilou-se em Portugal, onde viveu até ao seu regresso em Moçambique para participar nas primeiras eleições gerais, realizadas em 1994.

Reivindicou por diversas vezes ter sido um dos fundadores da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição e protagonista da guerra civil que durou 16 anos em Moçambique, mas assumiu ter abandonado a organização devido à aposta na via militar.

Em paralelo com a atividade de advogado, Máximo Dias assumiu-se como um dos opositores mais críticos da Frelimo, mas também censurou a orientação da Renamo.

Em 2017, anunciou a retirada da vida política nacional e o regresso a Portugal, onde estava em tratamento médico.

Numa entrevista ao diário moçambicano Notícias em 2007, Máximo Dias lamentou que o país tenha sido dilacerado por 16 anos de guerra civil, assumindo-se parte desse capítulo negativo da história de Moçambique.

“Metade dos 32 anos de independência foi com a guerra civil, eu sou um dos responsáveis da guerra e assumo a responsabilidade. Eu fui um dos fundadores da Renamo, juntamente com André Matsangaísse [primeiro líder da Renamo] e outros companheiros”, declarou, na altura.

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